No RS, safra de citrus terá perdas pela estiagem


09/05/2020
PortalArauto
No pomar de laranjas e bergamotas, Almiro Wendland observa os prejuízos (Foto: Jornal Arauto / Taliana Hickmann)

Nos pomares, as frutas cítricas, como laranja e bergamota, começam a dar as caras, provocando aquela vontade de “lagartear”. Neste ano, a produção e a comercialização dos citrus têm sofrido os impactos da estiagem e da pandemia. Produtores da região já acumulam prejuízos, a exemplo do santa-cruzense Almiro Paulo Wendland, que calcula perdas de 50%. 

Entre os problemas, o engenheiro agrônomo Alberto Evangelho Pinheiro explica que as chuvaradas do ano passado, na época de floração - principalmente das bergamoteiras -, prejudicaram a polinização e a formação das frutas. Somando-se a isso veio a seca, impactando seu desenvolvimento. “As frutas estão miúdas. Variedades que já deviam estar com fruto grande estão com metade do tamanho”, frisa Almiro, que acompanha a realidade diariamente nos quatro hectares de citrus - de laranja e bergamota - cultivados em Linha Sete de Setembro.

A SOLUÇÃO É CHUVA?

Com os castigos da seca, bastaria a chuva para a retomada no crescimento das frutas. Mas, segundo Almiro, não é bem assim. “No estado desses frutos, quando chove demais, eles absorvem muita água e acabam estourando, o que forma as rachaduras”, explica. Mesmo assim, ele reforça que a chuva será alento às variedades ainda em desenvolvimento, como a bergamota montenegrina e a laranja valência - usada na produção de suco -, que serão colhidas a partir de agosto e setembro.

Os reflexos na comercialização

Na região, a produção de citrus é comercializada em feiras rurais, para a merenda escolar e no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). No entanto, há quem venda derivados das frutas, como polpa e suco, em exposições e eventos, sentindo fortemente os efeitos da pandemia. É o caso de Alexandre Bartz, de Vera Cruz, que contava com a realização de diversos eventos neste ano, mas está sem vender há tempo. “Sem a Expoagro já sobrou produção, agora sem outros eventos, estamos parados e com mais de quatro mil quilos de polpa no refrigerador”, lamenta. 

Já para Almiro, que comercializa frutas e sucos principalmente na feira, os efeitos são menores. “Na feira diminuiu pouco o público. A venda parada, agora, é da merenda escolar”, conta. Segundo ele, com a descaracterização do fruto para venda in natura, o jeito será reaproveitar mais frutas para a produção de suco, evitando maiores prejuízos. 

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